Custos da inadimplência explicam cerca de 56% do spread
A queda dos spreads bancários, diferença de quanto os bancos pagam para captar e o quanto cobram para emprestar, depende da redução dos custos de intermediação financeira, de acordo com o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal. “Cerca de 56% do spread pode ser explicado pelos custos da inadimplência. Além disso, há custos tributários, operacionais. O lucro dos bancos é 23% do total”, explicou, durante o evento Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI.
O quadro, de acordo com o presidente da Febraban, sinaliza que é necessário reduzir os custos da intermediação financeira, que são muito elevados no Brasil pelos custos da inadimplência, é quatro vezes maior que a média de um grupo de países relevantes no mundo. Portugal voltou a criticar ainda assimetria entre regras de provisionamento do Banco Central e da Receita Federal.
Também pesa nos custos da inadimplência, segundo ele, a dificuldade de recuperação dos créditos inadimplidos. “A cada 100 ações para retomada de veículos com financiamento em atraso, são recuperados somente 15 um ano depois, com IPVA não pago e com multa”, destacou Portugal.
Outra queixa do presidente da Febraban foi direcionada aos custos tributários. O setor bancário, segundo ele, paga 45% de imposto, enquanto outros setores da economia contribuem com uma fatia menor, ao redor dos 34%.
Ao finalizar sua fala, Portugal mencionou as projeções da Febraban para o ano. A entidade espera, de acordo com ele, crescimento nominal de 2,7% do crédito neste ano e de 5,5% em 2018. “Em termos reais, o crédito ainda terá queda este ano”, reforçou ele.
Apesar da queda do crédito, o presidente da Febraban avaliou que o setor pode ser considerado como um ativo do Brasil uma vez que está bem provisionado e se manteve rentável mesmo durante a crise. Lembrou que antes mesmo disso os bancos já estavam migrando para segmentos menos arriscados, como imobiliário e consignado (com desconto em folha) e grandes empresas. “O setor bancário está preparado para voltar a financiar o desenvolvimento do Brasil”, concluiu.
FONTE: Estadão
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